Saúde

Pré-diabetes pode ser revertida antes do diabetes tipo 2

A pré-diabetes é uma condição silenciosa que pode permanecer sem sintomas durante anos. No entanto, quando identificada precocemente, ela pode ser revertida antes de evoluir para o diabetes tipo 2. Especialistas alertam que alterações discretas nos exames já indicam a necessidade de mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, tratamento médico.

Segundo a médica Renata Bussuan, coordenadora nacional da Pós-Graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica de Manaus, a pré-diabetes ocorre quando os níveis de glicose estão acima do considerado normal, mas ainda não atingem os critérios diagnósticos para diabetes tipo 2.

“Antes de tudo, devemos lembrar que pré-diabetes não é pré-doença. Já é um quadro de glicemia alterada que precisa ser tratado, seja por meio de mudanças no estilo de vida, orientação alimentar ou, em alguns casos, medicamentos”, explica.

Gordura abdominal aumenta o risco de pré-diabetes

Além da predisposição genética, um dos principais fatores associados à pré-diabetes é o acúmulo de gordura abdominal, especialmente a gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos.

Esse tipo de gordura produz substâncias inflamatórias que dificultam a ação da insulina, favorecendo o desenvolvimento da resistência insulínica e elevando o risco de progressão para o diabetes tipo 2.

Além disso, o sedentarismo, o excesso de peso e o histórico familiar também aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver a doença.

Exames laboratoriais ajudam no diagnóstico precoce

Outro ponto destacado pelos especialistas é que alterações discretas nos exames costumam passar despercebidas.

Valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL ou hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% já caracterizam um quadro de pré-diabetes, mesmo na ausência de sintomas.

Outro exame importante é o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG).

Segundo Renata Bussuan, muitos pacientes apresentam glicemia de jejum aparentemente normal, mas já demonstram alterações importantes após a sobrecarga de glicose.

“Na prática, isso mostra que o organismo já está tendo dificuldade para lidar adequadamente com a glicose, mesmo antes do aparecimento do diabetes”, afirma.

Pré-diabetes está atingindo pessoas cada vez mais jovens

Embora durante muitos anos fosse considerada uma condição típica de adultos mais velhos, a pré-diabetes passou a atingir pessoas cada vez mais jovens.

De acordo com a endocrinologista, atualmente já são observados casos em adultos jovens, adolescentes e até crianças com obesidade, refletindo mudanças nos hábitos alimentares e na redução da prática de atividades físicas.

Mudanças no estilo de vida podem reverter a pré-diabetes

Apesar do crescimento no número de casos, especialistas ressaltam que a pré-diabetes possui elevado potencial de reversão.

Estudos internacionais demonstram que mudanças consistentes na alimentação e na rotina de exercícios reduzem significativamente o risco de evolução para o diabetes tipo 2.

“É justamente nessa fase que temos a maior oportunidade de intervenção. Em muitos pacientes observamos normalização da glicemia, da hemoglobina glicada e melhora importante da resistência à insulina”, destaca Renata Bussuan.

Segundo a professora Sheila Ramos, do curso de Educação Física da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, intervenções no estilo de vida continuam sendo as estratégias mais eficazes.

“A redução do consumo de alimentos ultraprocessados, a adoção de uma alimentação baseada em produtos in natura e minimamente processados e o aumento da prática de atividade física apresentam resultados consistentes na redução do risco de diabetes”, afirma.

Exercícios físicos ajudam no controle da glicemia

Entre as principais recomendações está a prática regular de exercícios físicos.

Segundo Renata Bussuan, os benefícios vão além da perda de peso.

“A atividade física é uma das ferramentas mais poderosas que temos na prevenção do diabetes. Quando o músculo se contrai durante o exercício, ele passa a captar glicose de forma muito mais eficiente. Além disso, melhora a sensibilidade à insulina, reduz a gordura visceral, diminui a inflamação e reduz o risco cardiovascular.”

Para quem está iniciando uma rotina de exercícios, Sheila Ramos recomenda atividades acessíveis, como caminhada e hidroginástica, que contribuem para o controle da glicemia de forma segura.

Na alimentação, a orientação é priorizar alimentos ricos em fibras, verduras, legumes e proteínas magras, além de reduzir o consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

“A combinação entre alimentação saudável e atividade física continua sendo a estratégia mais eficaz para evitar que a pré-diabetes evolua para diabetes tipo 2”, conclui Renata Bussuan.

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